[the_ad id=”10494″] Aqui o analista de celeumas esteve a estudar o bruaá em torno de uma exposição de automóveis eléctricos no museu dos coches que colocou os bólides do futuro ao lado dos bólides do passado. A iniciativa está a revoltar algumas pessoas, nomeadamente pessoas que já têm tendência para a revolta, de maneiras que podiam bem ter ficado revoltadas por chegar ao Museu dos Coches e não ver veículos eléctricos ao lado de coches antigos. “Parece impossível, nem um Nissan Leaf ao lado desta carruagem do Rei D. Carlos!”

Por princípio, devo admitir que os carros eléctricos também me revoltam, mesmo que estejam ao lado de, por exemplo, outro carro eléctrico. Ou até podem estar ao lado de um Multibanco. É o princípio do carro eléctrico que revolta. Onde é que um carro eléctrico não revolta? No papel, apenas.

Vai daí que, se um automóvel eléctrico incomoda sem nada à volta, ao lado de um coche incomoda muito mais. Embora eu deva admitir que não me incomoda nada. Já vi imagens e até acho que fica de puta madre um Tesla ao lado daquelas maravilhosas geringonças cuja suspensão arcaica provocou muitas hérnias discais reais. Leio que também lá está um Seat Leon. Isso já dói um bocadinho mais.

Mas não compreendo aquela visão do património que o trata como um objecto sagrado que devemos contemplar solenemente, sem sequer espirrar não vá o esguicho infiltrar-se numa pintura e começar a comê-la por dentro. O património é para ser gozado. Sem estragar, claro. Protegendo-se, óbvio. Mas para ser usado. Até porque o património está sempre a ser criado. Se nós rebentarmos com os coches, deixamos à Humanidade o nosso Alfa Romeo.

[the_ad id=”10809″] E então, se se conclui que os carros eléctricos – ou a exposição como um todo – não vai pegar hepatite A às carroças, então qual é o problema? Se fosse uma Queima das Fitas, eu ainda percebia. Se até num autocarro da STCP parece mal, o que se diria do vídeo de jovens a vomitarem e/ou a violarem-se no Landau de D. Pedro V!?

Mas trata-se de uma exposição de automóveis eléctricos e os apreciadores de automóveis eléctricos não são propriamente gente para ir escavacar uma peça de museu. A menos que seja por raiva de terem descoberto um meio de transporte verdadeiramente ecológico e não poluente. Se descontarmos os gases dos animais, claro.

Enfim, vou estar esta tarde na exposição – na esperança de ser picado por um daqueles bichos eléctricos, embora me pareça que vou ficar com mais vontade de adquirir uma das carroças antigas, porque também não pagam IUC – e darei então conta sobre se há motivos para a revolta ou se devemos passar à revolta seguinte.