Tal como as crianças, também os membros do Governo foram hoje trabalhar mascarados, num Conselho de Ministros extraordinário que foi muito animado. 

António Costa apareceu de Assunção Cristas e anunciou uma moção de censura contra si próprio. Quem não ganhou para o susto foi o Ministro dos Negócios Estrangeiros, que foi de Juan Guaidó, presidente interino na Venezuela. “Nesse caso, então eu é que sou o primeiro-ministro”, anunciou, tendo sido reconhecido imediatamente por Donald Trump.

Ao lado, a Ministra da Presidência e Modernização Administrativa estava mascarada de loja do Cidadão, num disfarce feito pelo pai, o Ministro da Segurança Social, que ia de pensionista. 

Mário Centeno apareceu de paraíso fiscal, sendo Mário Caimão. “Vem aí o Centeno”, brincou Cristas, ou melhor, Costa, e Mário Caimão escondeu-se debaixo da mesa. 

O ministro da Defesa passou por Tancos e foi de chaimite, mas chaimite verdadeira, pelo que rebentou com as paredes todas. As obras arrancam na segunda-feira. Chegou a pensar pedir-se ao Ministro da Administração Interna para chamar a Protecção Civil, mas não havia ministro da Administração Interna. Eduardo Cabrita foi de bombeiro de Setúbal, com uns abdominais óptimos. 

A ministra da Justiça ia de Carlos Alexandre, máscara que levou metade do Governo a pirar-se da sala, voltando só quando confirmaram que era a brincar.  

O ministro Adjunto e da Economia apareceu e isso foi suficiente para ser divertido, porque raramente é visto. Ao contrário da popular ministra da Cultura, que foi de forcada amadora do grupo de Montemor. 

Quanto ao ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, foi de líder da Associação de Estudantes e mostrou o rabo onde se podia ler “Fora as propinas”. Já o ministro da Educação apareceu de colégio privado. 

A ministra da Saúde foi de enfermeira, por isso não foi. Fez greve. Quem também não esteve presente foi o ministro do Planeamento, que tinha outra coisa nos planos. 

O Ministro das Infraestruturas e da Habitação lembrou-se de ir mascarado de alojamento local, num fato muito divertido, que tinha frutas e uma garrafa de vinho para dar as boas-vindas aos hóspedes. 

De repente, quem chega? Um Volkswagen a diesel, ou melhor, o ministro do Ambiente. “Daqui a quatro anos esta máscara não vale nada”, avisou. Ao lado, um pastor que na verdade era o ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, riu-se muito. 

Por fim, a ministra do Mar foi de sardinha e acabaria mesmo por ser pescada pelo bombeiro de Setúbal, que agora pode pescar-se. O bombeiro de Setúbal, recorde-se, era o ministro da Administração Interna, seu marido.