“Isto é um vício como o running, eu também quero ser cada vez maior”: Entrevista com o canhão da Nazaré

[the_ad id=”10494″] Voltou a estar por estes dias em grande, tendo mesmo permitido a um surfista bater o recorde. Nesta entrevista ao Imprensa Falsa, vamos saber quem é o canhão da Nazaré, a onda gigante que só alguns têm coragem de enfrentar.

Imprensa Falsa: Tem consciência que é uma onda tão adorada quanto temida?

Canhão da Nazaré: Tenho, por acaso tenho. Mas a minha beleza é mesmo essa, é poder engolir tudo.

IF: Cada ano que passa está maior…

CN: É verdade. Isto é um vício, tal como vocês têm o running, por exemplo. Queremos sempre ficar maiores e mais gigantes. Cada vez me estico mais.

IF: Tem algum objectivo, alguma meta que suscite a ideia de dever cumprido?

CN: Tenho sim. Tapar-vos o sol. Quando vos tapar o sol, deixo de treinar para ficar maior.

IF: Usa alguns produtos para ficar grande?

CN: Alguma proteína, sim. Tem de ser. Para agigantar. Depois é a alimentação.

IF: Cuida da alimentação?

CN: Naturalmente. Agora até vou ter de mudar porque estava a fazer uma dieta à base de sardinhas mas não se pode pescar essa bicha agora.

IF: Tem atraído muitas atenções, sente algum desconforto por ter sempre centenas de pessoas no farol a olhar para si?

CN: É assim. No início eu gostava, claro. Não sou uma onda vaidosa, mas gostava. Agora já me cansa um pouco e às vezes gostava de ser aquele canhão desconhecido que ia ao café, tranquilamente, tomar uma esplanada e o mobiliário do interior… agora não posso ir a lado nenhum.
IF: A sua vida mudou?

CN: Bastante. Mesmo ao nível dos amigos. Agora quer tudo saber do canhão da Nazaré, quando antes era só uma aberração que não se podia surfar.

IF: Relativamente aos surfistas, não se importa que estejam sempre em cima de si?

[the_ad id=”10494″] CN: Seria a primeira vez que alguém se queixava de ter surfistas em cima… venham eles. E é claro que eles quando começam a vir para mim com as pranchas na mão e o fato para baixo, eu também começo logo a crescer. Sou eu e eles, isto às vezes a Nazaré parece uma viagem de finalistas…

IF: Mas não é desconfortável ter as pranchas a descerem por si…

CN: Faz-me cócegas. Às vezes nem me aguento. As pessoas pensam que eu rebentei mais cedo, mas na verdade escangalhei-me a rir. Há aí um então, que vem às vezes, tem qualquer coisa na prancha que me faz cá uma comichão… ui, mas tento aguentar-me, para não estragar a vida aos rapazes, que alguns vêm de tão longe.

IF: Alguma vez pensou alcançar este sucesso?

CN: Não, não pensava nisso. Sempre fui igual a mim própria. Uma onda que fazia o seu trabalho e que dava o seu melhor. Depois é um pouco de sorte e uma cena geofísica aqui por baixo que ajuda.

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Zé Pedro Silva

editor@imprensafalsa.com