Penso que todos devem ir votar, mas não é por ser um dever de cidadania. Isso é o menos. Devem ir votar porque se uma pessoa não vota diz que fica uma temporada valente sem pinar. Parece que sim. Não vem nas notícias, claro, porque não querem que se saiba. É como as riscas dos aviões no céu. Aquilo também é para a gente ir votar. Claro. Que eu saiba, fumo branco é o turbo partido e um avião com o turbo partido não ia àquela velocidade. Mas enfim, não vou dizer mais nada porque eles podem estar a ler. 

Mais um conselho, apenas: Não votem em consciência, como faz muita gente, porque esse voto é nulo. Tem de se votar num partido. Um dia votei em consciência e depois chegaram os resultados eleitorais e não havia nem um voto em consciência. Espera lá que já os apanhei. Armei um escândalo na Comissão Nacional de Eleições que até meteu polícia. Lá me explicaram que tenho de votar em consciência, sim, mas num partido. E eu vou assim “consciência num partido? Isso nos dias que correm é mais difícil que tirar o cartão do cidadão, amigo”. 

Disseram então que tenho de escolher um, o que gosto mais. O problema é que eu gosto de todos. Sou uma pessoa muito dada, gosto de toda a gente. Gostava de votar no Nuno Melo, porque um político que não faz muito é porque respeita os milhões de europeus que dizem que os políticos só fazem asneiras. Ele então não vai que é para não estragar. 

Mas também gostava de votar Sande. Durante muito tempo foi o meu lanche, sande e Sumol. O Aliança merece o nosso voto, sobretudo depois de o Santana ter dado uma volta à campanha. Ia largado na A1, diz o Sande “temos de dar uma volta a isto” e o Santana “então agarra-te”. 

Mas depois também apreciava votar na Marisa, porque eu adoro fado. Então e o Pedro Marques? Dizem que para se ir para a política é preciso ter muita coragem. Este sobreviveu ao ataque de um caniche. Só. Um caniche de extrema-direita, seguramente.

Por falar nisso, como é que se pode ir votar sem ser em André Ventura? Um indivíduo que vai chegar ao Parlamento, começa a contar os eurodeputados e “pfuiiii, é gente a mais, cento e picos chegava e sobrava, isto é a Europa, não é a China”.

Para além disso, também é um político que promete lutar contra as pessoas que estão a receber rendimentos sem fazer nada. Não fica bem dizer nomes, porque pode considerar-se ofensivo, mas eu digo de quem é que ele está a falar: dos eurodeputados. Há restaurantes que têm um computador, uma secretária e uma cadeira, à entrada, para afugentar eurodeputados. 

Também não é possível não se votar em João Ferreira. O candidato comunista está a pullover em bico de também poder ser o líder da juventude do CDS. Mesmo Nuno Melo, ao pé de João Ferreira, parece um arrumador. Imaginem o que sentem os comunistas. Era como o PAN ter um candidato parecido com o Pedrito de Portugal. 

Já Paulo Rangel meteu-se nisto mas havia de se ter metido no programa Peso Pesado, da SIC. Aí ganhava, porque perdeu nos últimos tempos o peso equivalente ao seu colega social-democrata que é deputado e que tem uns abdominais incríveis. Aquele que foi capa da Men’s Health e que está sempre na mesa da Assembleia. Um dia chegou ao fim do dia e disse “bom, vou dar no ferro” e o presidente pirou-se a correr. 

Há também Rui Tavares, em quem tem claramente de se votar porque pega no seu ordenado de eurodeputado e oferece bolsas. Mas não é um sugar daddy. São bolsas de estudo. Notável, meritório, não merecia só a eleição mas também uma condecoração. Sem ofensa. 

Enfim, o difícil não é votar, é saber em quem votar. Apetece votar em todos. Mas não pode ser. Tem de se escolher um. Se tiver dificuldade, inale os traços dos aviões.

Relembro também que não se pode votar em consciência. Agora que penso nisso, é o melhor nome para um partido. Partido Consciência. Tudo à porta das mesas de voto a dizer “tem de se votar em consciência”. E a Comissão Nacional de Eleições não podia fazer nada.