Passos atiçou manifestantes e entregou-se aos braços da revolta para mostrar a Cavaco como se faz

«Vê Presidente? É assim que se faz. Eles não fazem mal. São até muito meigos», gritava o primeiro-ministro enquanto era arrastado pela população em fúria. «Vá! seus piegas! Têm-me aqui!», ia provocando Passos Coelho, «se isto é uma manifestação, não imagino o que será beber chá convosco», continuava, numa altura em que já ia pelo ar.
Recorde-se que quando Passos Coelho chegou ao local, esta era uma manifestação de apoio ao Governo e ao primeiro-ministro. No entanto, Passos Coelho quis mostrar a Cavaco como é que se faz e por isso incitou a população para que se revoltasse contra ele. «Vocês é que são aqueles bananas que perderam ¾ do poder de compra, não são?», questionava o primeiro-ministro, à chegada.
«Como disse, senhor primeiro-ministro?», perguntava, desiludido, um manifestante que empunhava uma placa a dizer “Estamos contigo Passos”. «Isso mesmo que tu ouviste, meu lorpa. Aumento da carga fiscal, diminuição do poder de compra, das prestações sociais, empresas a fechar, desemprego em barda... queres mais?», respondeu Passos Coelho.
O popular corrigiu a placa que empunhava e passou a ler-se “Rua contigo Passos”. «Fora daqui, seu ladrão. Vai-te embora. Buuu.», começou então a gritar o popular, enquanto empurrava o primeiro-ministro para o popular do lado. Numa altura em que começava a ser fortemente sacudido, Passos Coelho falou para as câmaras: «Estás a ver, Cavaco? Não custa nada! Não podes é levar nada dos bolsos, nem relógios, que eles roubam tudo!»
