Ir ao Guincho comer um peixi… cachorro

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Se o Guia Michelin não fosse betinho e também atribuísse estrelas a cachorros quentes vendidos em carripanas vintage, os hot dogs do Guincho levavam pelo menos duas estrelas.

A velhíssima Citroen está por esta altura do ano ali estacionada ao pé da Boca do Inferno, o que significa que tem uma das mais belas esplanadas do mundo. Quando não estamos com a vista tapada pelo avantajado cachorro, podemos contemplar tranquilamente o Atlântico. Quando digo tranquilamente, é mesmo tranquilamente, pois não há nada à volta. Não há uma papelaria, um parque infantil, um cruzamento, uma lavandaria. Nada. Temos uma estrada, uma ciclovia, um precipício, um oceano e a Citroen amarela.

O Atlântico é também a vista ideal enquanto esperamos pela dilatação da boca, porque só quem come hot dogs sabe o que custa comer um hot dog. Tanto que nos cachorros maiores e mais completos, já são poucas as pessoas que não pedem epidural e quando optam por comer em casa, quase sempre recorrem ao apoio de doulas.

Claro que este artigo sobre os hot dogs do Guincho deve apanhar tudo em dieta, porque depois de deglutirem dezenas de cabeça de gado e respectivos enchidos durante o Inverno, anda tudo a sucos e tofu para não se estragar a imagem da nossa costa durante o Verão.

Acontece que ninguém deve deixar de comer hot dogs, desde que, por exemplo, se vá a pé. Ir comer um cachorro quente a pé é melhor do que ir comer uma pescada cozida de automóvel. Claro que se for comer uma pescada cozida a pé, não tenho mais nada a dizer.

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Zé Pedro Silva

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