(Editorial) Que estranha forma de salvar o planeta

O Papa Francisco também se juntou à discussão em torno das alterações climáticas, com um discurso daqueles que dá a entender que quem coloca questões sobre o que está a ser feito é simplesmente maluco. Não sei se os dois acontecimentos estão relacionados, mas o Papa Francisco foi agredido pelo seu papamóvel. Nessa medida, os negacionistas nem precisavam de dizer nada porque o papamóvel respondeu.

Na verdade, ninguém pode negar as alterações climáticas porque são um facto. Permanente e contínuo, aliás. Por esta altura, a temperatura está a subir. Mas pode e deve discutir-se as causas e as soluções, só para não aquecermos o planeta ainda mais enquanto tentamos arrefecê-lo. É que os furacões já fazem fila no Atlântico e se o trânsito na Baixa já causa transtorno, imagine-se um engarrafamento de tufões. É bastante apocalíptico

A ligação que se tem feito – mais política do que científica – entre os nossos hábitos diários e as catástrofes, já está a provocar ataques pânicos, nomeadamente naquelas pessoas que acreditam mesmo que o furacão José existe porque elas estiveram mais dez minutos no banho. Curiosamente, as maiores catástrofes da história são cheias provocadas por furacões, muitas delas em períodos com o planeta fresquinho e arejado. Período também caracterizado por ser pré-pós-verdade.

Para despachar, vou já para as conclusões. A poluição é um horror e deve ser combatida ferozmente. A porcaria do plástico, o lixo, os desperdícios, tudo deve ser combatido mas não necessariamente por estar a aquecer o planeta. Apenas porque é poluição e a poluição deve ser combatida nem que seja porque antes de – e ‘se’ – aquecer o planeta – provoca muitos outros danos e prejuízos.

O aquecimento global – na sua vertente política – não passa de um negócio. Por exemplo, vão substituir-se milhões de automóveis – com subsídios públicos – por automóveis eléctricos. São muitas indústrias muito poluentes a trabalhar o triplo para substituir uma frota automóvel nova e perfeitamente capaz.

Sucede que poupar o ambiente e arrefecer o planeta – para quem acredita na ligação – não é comprar um carro eléctrico: é recuperar o Peugeot 505 do seu avô ou pelo menos conservar a latinha que já possui e portanto não é preciso cagar o planeta outra vez para a fazer, muito menos escavar as entranhas da terra à procura de baterias para lhe forrar o piso.

Naturalmente que, excluindo o senhor Kim Jan Ado e o seu amigo Trumpf, toda a gente quer salvar o planeta, mas a treta que se vende do aquecimento global é um negócio melhor que aquele da Yupido e que vai sustentar muitas economias, muitos postos de trabalho, mas também vai gerar muita poluição, mesmo muita poluição. Não é mais dez minutos no banho, é poluição daquela da grossa, que até temos de meter máscara.

Enfim, o senhor DiCaprio é que foi bem escolhido para os anúncios do aquecimento global, pois tanto dá para os histéricos como para os malucos dos negacionistas. Por um lado, aparece na televisão a dizer que isto já ferve, depois anda de avião privado. Esquisito isto, de ir uma cadeira vazia num avião comercial e o senhor do aquecimento global num avião só para ele.

Como se não bastasse, nestas férias, o senhor DiCaprio esteve em St Tropez – não foi em São Torpes, no Alentejo, foi mesmo em St Tropez – no enorme barco Impromptu – que custa 250 mil euros por semana – um brinquedo de 500 toneladas. Dir-me-ão que é à vela. Mas não é. As 500 toneladas são movimentadas por 4500 cavalos alimentados a diesel. Atenção que eu não tenho nada contra – excluindo o facto de ele não me ter convidado – só não gosto que depois engane as pessoas, fazendo reclames para as indústrias poluidoras.

Porque a conversa do aquecimento global é o maior negócio e mais poluidor que a Humanidade tem pela frente. Repare-se nisto: Nunca ninguém disse, nem o senhor DiCaprio, para as pessoas irem para a cama quando o sol se põe. A ideia de salvar o planeta é comprar coisas novas. Tem graça.

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Sobre o autor

Zé Pedro Silva
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