
Quando em finais de 2008 a estrutura financeira do Banco Privado Português começou a desabar, Almerindo Bastos estava longe de pensar que dois anos mais tarde estaria a viver dos pontos do cartão GALP que acumulara ao longo de dez anos.
À conta do retorno absoluto, Almerindo tinha uma vida que lhe permitia acordar ao meio-dia e fazer sestas às três, depois de almoçar nos restaurantes mais caros. Às vezes fazia sestas às seis mas era só porque tinha ido almoçar a Paris e “perde-se imenso tempo nos aeroportos”.
A riqueza de Almerindo vem da venda do mesmo armazém a dez pessoas diferentes na mesma tarde, quando Almerindo era solicitador de uma antiga gráfica. “O dinheiro não me caiu do céu”, garante.
Um dia, ao sair de um restaurante, encontrou no chão uma brochura do BPP, com um novo produto: Retorno Absoluto. Almerindo não sabia que estava prestes a hipotecar a sua fortuna.
Nessa tarde, Almerindo foi ao BPP e depositou todo o seu pecúlio, na esperança de vê-lo crescer todos os dias como se fosse uma abóbora no Entroncamento.
Durante alguns meses, Almerindo fez efectivamente muito dinheiro, mas em Dezembro de 2008 o banco entrou em dificuldades e Almerindo, que tinha investido todo o seu dinheiro no projecto de Rendeiro, também.
Foi então que Almerindo começou a comer fora com os pontos do cartão Fast Galp que acumulara nos abastecimentos que fazia do seu potente Mercedes V12, onde hoje dorme. Almerindo faz tudo com o seu cartão Galp, mas os pontos estão a chegar ao fim. “Tenho pouco mais de cinquenta mil pontos”, lamenta este homem, que pede rapidamente a intervenção do Ministro das Finanças no BPP ou, em alternativa, “um bónus no cartão Fast e a oferta de uma lavagem”.