
A deslocalização da unidade da ETA em Óbidos é mais uma má notícia para a economia portuguesa, sobretudo para aquela região, que já no ano passado perdeu a construção de um campo de treino da Al-Qaeda para uma vila paquistanesa, não obstante o esforço do então ministro da Economia, que chegou a oferecer os aviões da Portugália ao grupo de Bin Laden.
Agora, reina o descontentamento com mais esta deslocalização. Ontem à noite, algumas dezenas de colaboradores permaneciam à porta de casa da ETA para impedir a saída de um camião com material.
“Tínhamos muitas encomendas” – comenta Antunes Rolano, que está sem esperança – “tenho cinquenta e dois anos, qual é o grupo terrorista que me vai dar trabalho com esta idade?”.
Para Marcos Rastilho, presidente da associação de paióis daquela localidade, “esta deslocalização era esperada, uma vez que a ETA não estava a receber apoio do Estado, tanto que até prenderam os gerentes da firma porque não tinham a licença em dia”. “Assim mais vale fecharmos as portas”, conclui.
De facto, o sector do terrorismo nunca teve força em Portugal, em parte devido à falta de incentivos públicos. Rastilho lamenta que “o Governo, que criou tantos balcões, até para quem perdeu a carteira, não tenha criado o balcão terrorista, para agilizar os procedimentos nesta área, nomeadamente no que respeita à falsificação de identidade”.
Contactados pelo Imprensa Falsa, os etarras não quiseram comentar esta decisão de abandonar Portugal, afirmando apenas que se insere numa estratégia do grupo de evitar as autoridades locais.