Passos foi a Belém para se demitir mas o casal presidencial exorcizou-o

«Sr. Presidente, vim trazer-lhe umas farófias que fiz esta manhã e a minha demissão», foi com estas palavras que Passos Coelho entrou em Belém, há uma semana. «Não estava nada à espera das farófias», respondeu o Presidente, enquanto chamava a Primeira Dama.
«Mas, Sr. Presidente, não vejo razão para a sua esposa estar presente nesta audiência», afirmou o primeiro-ministro, segundos antes de ser agarrado. «Mas o que é isto?», questionava Passos Coelho.
«O senhor primeiro-ministro está possuído, mas eu e a minha mulher vamos ajudá-lo», explicava Cavaco, enquanto se preparava para exorcizar o chefe de Governo.
«Não te demitirás!», gritava então a Primeira Dama. «Não oiças o Seguro!», gritava o Presidente da República, que exibia os regulamentos do PSD numa mão e uma bandeira na outra. «A gente fala com o Portas!», continuava a gritar a Primeira Dama, numa altura em que o primeiro-ministro já se contorcia. «Volta para o PS, espírito das eleições antecipadas! Deixa este homem!», gritou finalmente Cavaco.
«Então que tal? Como é que se sente?», perguntou a Primeira Dama. «Muito bem mesmo. O que fizeram?», quis saber Passos Coelho. «Nós? Nada. O senhor primeiro-ministro é que desmaiou e nós só fomos buscar um pouco de água com açúcar», explicou Cavaco. «Ah!, muito obrigado. Bom, agora deixem-me ir, porque eu tenho um conselho de ministros para presidir», afirmou o chefe de Governo. «Vá, vá, não se atrase», disse sorridente a Primeira Dama, já de mão dada ao Presidente da República.